Eu morri em um acidente há dois anos atrás. Essa foi a notícia que alastrou-se rapidamente pelas redes sociais, entre amigos e familiares. A minha morte deu-se em um domingo de manhã, enquanto voltava de uma viagem de família. Eu guiei o carro, e reconheço que estava cansado, um pouco sonolento. Mas nada poderia ter-me preparado para o que aconteceu.

O carro desgovernou-se numa curva perigosa, e virou-se na beira da estrada. O impacto deixou-me inconsciente, mas ainda assim os médicos lutaram por mim, tentaram reanimar-me. Infelizmente, todos os esforços foram em vão, e a notícia do meu falecimento foi dada em seguida. Pode parecer estranho para vocês, queridos leitores, ouvirem esta minha versão da história, mas afirmo sem hesitação que essa história está longe de ser verdade.

De facto, eu estou vivo e saudável, procurando maneiras de contar a verdade para vocês. Alguém começou a espalhar rumores sobre a minha morte, talvez pensando ser uma piada ou enganando-se em uma confusão de identidades. No entanto, muitas pessoas pareceram acreditar na história e compartilhá-la sem malícia, espalhando-a com rapidez pela internet e pela comunidade.

Sempre que vejo mensagens de pessoas que lamentam pelo falecimento de várias pessoas que acreditam ser eu ou meu ente querido, sinto um aperto no coração. Eu imagino o quão doloroso pode ser para a família que enlutou e ainda enluta por perder um ente querido. Sei que eu jamais gostaria de passar por algo assim. E ainda assim, aqui estou eu, esclarecendo toda a história, deixando que vocês saibam que eu estou vivo, e apenas procurando uma maneira de deixar esta história para trás e viver o meu presente.

Porém, apesar de estar aliviado em esclarecer tudo isso, sinto-me triste em perceber que, por causa dessa grande confusão, perdi muitos amigos. Alguns deixaram de conversar comigo ou me bloquearam nas redes sociais, pensando que eu cresci e morri ao mesmo tempo. Outros acharam que eu mudei demais depois que ressuscitei, como se estivesse escondendo algo deles.

Tudo isso é muito doloroso, porque eu sinto-me só e excluído. Mas eu nunca perdi a esperança, continuei vivendo a vida, porque sei que ela é preciosa, e que devemos fazê-la valer a pena. Eu ando por aí, tentando reconectar-me com outras pessoas, contando-as a minha história, e tenho esperança de que, um dia, elas possam compreender-me e ver o amor que eu tenho a dar.

A memória do acidente ainda me assombra a cada dia, mas comecei a lidar com isso aos poucos, procurando terapia e expressando minha dor. É difícil enfrentar o medo da possibilidade de morte no futuro, mas estou focando em viver cada dia como se fosse o último. Eu acredito que essa é a lição que todo o incidente veio ensinar-me: a vida é curta, imprevisível, mas também é bela e cheia de oportunidades.

Eu ainda choro pelo que perdi: alguns amigos, as pessoas que acreditaram ter-me perdido, a minha antiga identidade. Mas eu estou acima de tudo feliz por estar vivo, saudável, e com a chance de crescer. Eu aprendi muito ao longo desses dois anos, e acredito que ainda tenho muito o que aprender. Às vezes, sinto-me com saudade do passado, mas lembro-me de que cada momento agora é um novo presente, e devo ser grato por tudo que tenho.

A verdade veio ao público, finalmente. Eu nunca estive morto, e agora tenho a chance de mostrar o quão vivo posso ser. Essa é a história da minha falsa morte, de como reagi ao sucedido e como pretendo seguir a minha vida novamente. Espero que essa história inspire pessoas que passaram por algo semelhante, ou que lidam com dores e perdas em suas vidas.

Não importa no que você acredite: o importante mesmo é que devemos todos nós amar a vida, procurar o amor, e aproveitar cada dia ao máximo. Nunca se sabe quando pode ser o último.